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Último "vivo" do Seminário de Gralhas |
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Chama-se Vital Gonçalves Pereira Capelo. Em 2 de Novembro de 1922 entrou no Seminário de Gralhas. Foi aqui que fez os três primeiros anos de preparatório. Com quase 100 anos, ainda recorda os tempos de «uma aldeia encantadora com gente de trabalho e respeito». Actualmente está na Santa Casa de Misericórdia de Peso da Régua.
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Tivemos o privilégio de conhecer o último sobrevivente do antigo seminário de Gralhas. Podemos conhecer um pouco da trajectória desta personagem na obra Dicionário Dos Mais Ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, da autoria de Barroso da Fonte, quando se diz que Vital Gonçalves Pereira Capelo (eclesiasticamente com o nome de Vital Rodrigues Mendes) é natural de Salto (nasceu a 29 Agosto de 1911). Fez exame de admissão ao seminário de Gralhas em fins de Outubro de 1922. A 2 de Novembro desse ano dá a sua entrada, na altura seminário da diocese, onde fez os três primeiros anos de preparatório. Mais tarde, em 1925, passa para o Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga. CASAMENTO
Vital Capelo foi ordenado em 22 de Dezembro de 1934. Em Janeiro de 1937, foi nomeado pároco de Canedo, concelho de Ribeira de Pena. Em 1939, foi transferido para Sedielos e mais tarde para Torgueda, Carlão (concelho de Alijó), até Maio de 1949. Todavia, o ano de 1949 marca uma viragem no rumo do último testemunho vivo do antigo seminário de Gralhas. Vital Capelo casa civilmente. Mais tarde, em 21 Abril de 1965, casa religiosamente. ANGOLAEmbarca para Angola em Agosto de 1949, passando a leccionar em Malange, no Colégio Veríssimo Sarmento. Em 1950 transitou para o liceu Salvador Correia, em Luanda. Em Dezembro de 1950 mudou-se para Moçambique, fixando-se na Beira, como professor do liceu. Aí leccionou até 1976. Esteve ligado à fundação do Colégio Nun’Álvares. Foi depois guarda livros, com carteira profissional. Regressou a Portugal com a «descolonização exemplar». Passou a dar aulas em Almada, Setúbal e Oeiras, onde atingiu o limite de idade. Completou as habilitações académicas na Universidade Clássica de Lisboa. Seguiu-se um período (duas comissões), como Cooperante, em Bissau (Guiné). REGRESSO A PADRENo regresso fez uma nova e profunda opção: regresso ao sacerdócio. Foi auxiliar em Chaves. Em Janeiro de 1985 foi colocado na Régua, como vigário paroquial, sendo-lhe confiados o Hospital e o Lar dos Idosos, para além da paroquia de Covelinhas. MEMÓRIASApesar dos seus quase 100 anos, Vital Capelo ainda recorda os tempos que viveu no seminário Gralhas, só frequentado por rapazes: «foram momentos importantes na minha vida. Nessa altura estudava...havia mais sete rapazes. Tinhamos dois padres que leccionavam as disciplinas e uma empregada, senhora mais idosa, encarregada de fazer as lides do seminário». O dia a dia era construído desta forma: «logo de manha a gente levantava-se. Iamos rezar, antes do pequeno-almoço, e logo a seguir tinhamos as aulas. O meu local preferido era o pátio onde faziamos uma ou outra brincadeira». Na altura, para se entrar no seminário, lembra, «era necessário ter uma excelente conduta e ter referências escritas por alguém importante, tipo padre, por exemplo, para alem de ter que ser bom aluno». Prestes a completar 98 anos, o último sobrevivente do antigo seminário de Gralhas reside na Santa Casa de Misericórdia de Peso da Régua. SEMINÁRIO DE GRALHAS
«(...) Por todos estes motivos, que têm sido longamente e seriamente ponderados e amadurecidos no nosso espírito, pomos termo, ao findar do ano lectivo corrente, ao pequeno seminário de Gralhas (...)». Foi com estas palavras, que D. João Evangelista de Lima Vidal, o primeiro Bispo da Diocese, decretou, em 28 de Fevereiro de 1925, o encerramento do Seminário de Gralhas, extinguindo o legado do fundador do mesmo. O seminário, que funcionou durante cinco anos, desde Janeiro de 1921, até ao fim do ano lectivo de 1925, resultara de uma doação feita pelo Padre João Álvares Fernandes de Moura, natural desta freguesia, onde nasceu em 09-07-1848 e senhor de grandes propriedades na terra. Apesar de aí não viver permanentemente, o Padre Moura, era um apaixonado da aldeia, a qual visitava com frequência, sendo inclusivé, um grande benemérito da igreja paroquial. Contam os mais antigos, que tudo o que de bom aparecesse em Braga, o Padre Moura logo adquiria para a Igreja da sua terra, que por isso mesmo, foi, até há pouco tempo, uma das mais ricas em paramentos, cálices e alfais. Pelo Seminário de Gralhas, passaram dezenas de alunos, os quais após o seu encerramento, partiram para Braga. Esta casa, serviu ainda como escola preparatória, para muitos outros jovens que se prepararam para a vida, incluindo os rapazes da terra, muitos dos quais, aprenderam ali a ler, escrever e contar. Passados que foram mais de 75 anos, em que a Casa do Seminário esteve transformada numa normalíssima casa de habitação agrícola, hoje, após uma fantástica recuperação, levada a cabo pelos actuais proprietários, é o ex-libris da aldeia, funcionando como Casa de Turismo Rural. In, Blog aldeiadegralhas.blogspot.com PRIMEIRO SEMINÁRIO DA DIOCESE
Como já vincamos, o primeiro seminário da Diocese de Vila Real funcionou em Gralhas. No espaço geográfico que compreende a actual Diocese de Vila Real nasceram os seguintes Bispos: D. Pedro de Pitões (Júnias – Montalegre, Séc. XII; D. Rui Pires da Veiga (Vila Real – falecendo em Lisboa, em 1629); D. Frei Inácio de S. Caetano (Chaves – 1719); D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso (Murça – 1811-1883), chegando a Cardeal; D. António José Gomes Cardoso (Valpaços – 1855-1900); D. José Dias Correia de Carvalho (Régua – 1930); D. António Feliciano de Santa Rita Carvalho (Vila Real – 1836); D. Frei Álvaro de Chaves (Chaves – 1479); D. Antão Martins de Chaves (Chaves - 1447); D. Domingos José de Moura Magalhães (Vila Pouca de Aguiar: 1809 – 1853); D. João Rebelo Cardoso Meneses (Vila Real: 1832 – 1890); D. José Joaquim Pereira de Miranda (Valpaços: 1776 -1858); D. José Correia Cardoso Monteiro (Régua: 1844-1904); D. António Alves Martins (Alijó: 1808 -1882); D. António Joaquim Medeiros (Chaves: 1846 – 1897); D. Manuel Vieira de Matos (Régua – 1861- 1923); D. António José Ferreira de Sousa (Valpaços: 1771- 1831); D. Agostinho de Jesus e Sousa (Vila Pouca de Aguiar: 1877-1921); D. João José Vaz (Vila Real: 1830); D. Francisco Pereira Pinto (Vila Real); D. Luís Pereira da Silva ( Sabrosa); D. Luís Alves de Figueiredo (Vila Real); D. Francisco Albino da Silva Vasconcelos (Mesão-Frio); D. Frei Francisco dos Prazeres (Favaios); D. José Ribeiro de Aquino Pereira (Andrães), ingressou, como aluno no Seminário de Vila Real, em 1931 e foi Bispo de Dourados (Brasil); D. Joaquim Augusto de Barros (Régua: 1837-1904); D. Agostinho Joaquim Lopes de Moura (Vila Real); D. Francisco Carlos Esteves Dias (Montalegre). Já como alunos do nosso seminário temos: D. Gilberto Canavarro Reis (Pedras Salgadas: 1940); D. António Marto e D. Amândio Tomaz (Chaves). |
Notícia publicada em 03-Jul-2009 |
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